Protesto começa com ruas e rodovias bloqueadas em Curitiba e região.

Ruas e rodovias de Curitiba e região, entre elas o Contorno Sul, estão bloqueadas na manhã desta quinta-feira (11), em razão de uma manifestação organizada por diversas centrais sindicais e que se repete em diversas cidades do País, com bloqueios em rodovias de mais cinco estado. O Hospital de Clínicas (HC) funciona parcialmente e a maioria das aulas na Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi cancelada. Na região central de Curitiba, segundo a Secretaria Municipal de Trânsito (Setran), o trânsito chegou a ficar totalmente bloqueado na Avenida Getúlio Vargas, entre as ruas João Negrão e a Conselheiro Laurindo, em frente à empresa Cavo. Um protesto de coletores de lixo começou na região e segue em direção à Praça Nossa Senhora da Salete. Durante o dia, o fluxo na região promete ficar complicado, já que os Correios, que também promovem paralisação nesta quinta, vão se reunir na sede da João Negrão. Eles devem partir em passeata, à tarde, até a Praça Rui Barbosa. Outro grupo que promove passeata ainda pela manhã é o Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Curitiba (Siemaco). Eles se aglomeraram na Rua Duque de Caxias, na região do Jardim Botânico, e promovem uma caminhada pela região central da cidade. Perto da fábrica da Volvo, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), um protesto de metalúrgicos bloqueia totalmente o trânsito em ambos os sentidos. O tráfego nas marginais também está restrito. Uma longa fila de veículos se forma no local, que fica na região do cruzamento da Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira com a Rua Eduardo Sprada. Os funcionários da Volvo saíram da fábrica e se juntaram aos manifestantes das centrais sindicais que convocam o protesto. Na mesma região, na BR-277, no cruzamento com o Contorno Sul, uma manifestação é feita por operários próximo ao posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O bloqueio ocorre na rodovia apenas no sentido interior-capital. Uma marcha de trabalhadores também deixa o trânsito complicado na BR-277, na região da fábrica da Renault, em São José dos Pinhais. De acordo com a PRF, eles bloqueiam o trânsito no sentido Litoral-Curitiba. A previsão é de que seja feita uma caminhada até o viaduto do Contorno Sul e de que, então, os manifestantes voltem até a Renault. O fluxo é bastante complicado na região, mas, até as 8h30, não foram registrados tumultos. A BR-376, na região da fábrica da Volkswagen, também tem restrições no tráfego devido a uma passeata feita por 4 mil trabalhadores. Eles fazem parte do quadro de empresas terceirizadas e da própria montadora. A previsão é de que a caminhada se estenda até as 11 horas. O trânsito, às 8h45, estava bloqueado no sentido Joinville-Curitiba. Na sequência, quando os participantes chegarem ao Contorno Sul, o bloqueio seria invertido e, então, o bloqueio deve passar a ser no sentido Curitiba-Joinville. Na Rodovia do Xisto, manifestantes bloqueiam a rodovia no km 148, entre Curitiba e Araucária. Sobre as manifestações nas fábricas, o presidente da Força Sindical no Paraná, Nelson Silva de Souza, diz que pelo menos nove indústrias estão totalmente paralisadas. Volvo, Renault, WHB, CNH (New Holland), Abraser, Plásticos do Paraná, Perfecta, Cabs e Volkswagens compõe a lista, atualizada por volta das 8h30 pelo dirigente. HC e UFPR O HC cancelou os atendimentos eletivos nesta quinta-feira (11), mas o movimento no local é tranquilo. Os funcionários do estabelecimentos relataram que a maior aglomeração de pacientes aconteceu entre 6 horas e 7 horas. A maior parte das pessoas que teriam atendimento hoje foi avisada da paralisação e da necessidade de remarcar consultas e exames. Na UFPR, maioria das aulas foi cancelada, segundo a assessoria de imprensa da instituição. Apenas o setor de ciências jurídicas, que funciona no prédio histórico da Praça Santos Andrade, não registrava problemas nesta manhã. Os campus Centro Politécnico, Juvevê, Jardim Botânico e Reitoria tinham funcionamento afetado nesta manhã. À tarde também não deve haver aula devido à possível paralisação dos ônibus, conforme a assessoria. Também estão parados todos os restaurantes universitários (RUs) da instituição e os serviços realizados pelos servidores da faculdade estão suspensos. (Voltar) Ônibus podem parar à tarde O transporte coletivo pode ser interrompido das 15h às 19h desta quinta-feira (11), em Curitiba, por causa do Dia Nacional de Luta. A definição virá somente em uma assembleia com cobradores e motoristas marcada para as 15 horas na Praça Rui Barbosa. Essa é uma das possibilidades cogitadas pela categoria e ainda não se sabe, com certeza, qual será o impacto do ato ao transporte coletivo de Curitiba. A duração e adesão à paralisação dos ônibus na capital serão colocados em votação na tarde de quinta, segundo o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Anderson Teixeira. À princípio, podem parar os ônibus da região central entre as 15h e 19h. Mas, ainda de acordo com Teixeira, os trabalhadores podem optar por paralisar o serviço de todas as regiões e por mais tempo que o previsto até o momento. "Há uma grande chance de acontecer porque já aprovamos um indicativo de greve na segunda-feira. No caso de aprovação, vamos protestar pelo fim do assedio moral, melhores condições de trabalho nos ônibus e estações-tubo e fim da dupla jornada”, disse. Como precaução, a Urbanização de Curitiba (Urbs) protocolou uma medida cautelar na Justiça do Trabalho no início da noite desta quarta-feira (10). A intenção é garantir a circulação de uma frota mínima para atender a população, mesmo que os trabalhadores decidam pela paralisação. O documento protocolado diz que 1.554 ônibus, que representam 80% da frota da Rede Integrada de Transporte (RIT), devem circular no horário de pico (entre 17h e 20h). Fora desse período, a frota deverá ser de 1.658 ônibus, ou 60% do total. Caso haja descumprimento da decisão, poderá ser aplicada multa diária com valor a ser determinado pela Justiça. A Urbs afirma que não recebeu o indicativo de greve da categoria até a noite desta quinta-feira. O presidente do Sindimoc informou que enviou um ofício para as empresas na segunda-feira (08). (Voltar) Outras paralisações Vários serviços podem parar nesta quinta-feira (11) por algumas horas ou durante todo o dia. Organizado pelas centrais sindicais, o Dia Nacional de Luta tem manifestações e assembleias programadas durante toda a quinta-feira. Em Curitiba, um ato único está marcado para a Praça Rui Barbosa, às 16 horas, e promete reunir diversas categorias de trabalhadores. A estimativa das centrais é que 10 mil pessoas passem pelo local. Nas assembleias, que serão realizadas pelos sindicatos em vários locais de trabalho, os funcionários vão decidir se vão aderir à paralisação ou retornar ao trabalho. Por isso, paralisações de outras categorias só serão confirmadas durante a quinta-feira. Lixo O Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação (Siemaco) de Curitiba confirmou, nesta quarta-feira (10), que os trabalhadores farão uma paralisação geral nesta quinta-feira (11), a partir das 6h. A coleta de lixo, portanto, não deve acontecer durante o dia, e será retomada apenas a partir das 19h. A partir de sexta-feira (12), todos os serviços de limpeza devem voltar a funcionar normalmente. INSS O Sindiprevs planeja paralisação das agências do INSS a partir da manhã desta quinta-feira. Segundo assessoria da entidade, porém, até as 9 horas não havia nenhum reflexo no funcionamento de todas as unidades da gerência de Curitiba e Região Metropolitana. A única restrição ocorre na Cândido Lopes, no Centro, mas não é devido ao protesto. A partir do meio dia, apenas esta unidade, conforme a assessoria, fechará as portas para uma reunião mensal que já estava previamente agendada. Saúde A paralisação no Hospital de Clínicas de Curitiba (HC) começa às 6h30 da quinta-feira. Apenas os serviços de emergência e o atendimento aos pacientes já internados serão mantidos durante o dia. Todas as consultas ambulatoriais e exames eletivos terão de ser remarcados. A decisão foi comunicada ao HC pelo sindicato que representa os trabalhadores do hospital (Sinditest). Quem não vai parar Os comerciantes não devem fechar as portas, de acordo com o sindicato da categoria. A recomendação, porém, é que os estabelecimentos comerciais fechem as portas caso haja muita gente na rua. Agências de banco também não devem ser fechadas. Durante a manhã, serão realizadas reuniões em alguns Centros Administrativos dos bancos e à tarde os bancários devem participar do ato na Praça Rui Barbosa, às 16h. Osindicato não fará paralisação nas agências. Frentistas de posto e estivadores do Porto de Paranaguá não devem fazer paralisações durante a quinta-feira, afirmam o Simpospetro e Sindestiva, sindicatos das categorias. Os trabalhadores são convocados a participar dos atos gerais, mas não devem parar o serviço. A Prefeitura de Curitiba informou, por meio de assessoria, que os serviços prestados pelas secretarias - com exceção do transporte coletivo e da coleta de lixo -  não devem ser suspensos. Escolas e unidades de saúde, por exemplo, devem funcionar normalmente nesta quinta-feira. O expediente também será normal no Tribunal de Justiça, na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal, que terá reunião da CPI da Urbs a partir das 14 horas. Em contrapartida, em Porto Alegre, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) anunciou que não vai abrir por causa da paralisação do transporte público. Na UFPR, IFPR e UTFPR, técnicos administrativos e professores disseram, nesta quarta, que parariam durante o dia, segundo CSB Conlutas. Até as 9 horas, o expediente era normal na instituição, conforme a assessoria de imprensa. Reivindicações As manifestações acontecem nesta quinta-feira em várias cidades do Brasil. No Paraná, o movimento é organizado pelas centrais sindicais CSP Conlutas, CTB, CUT, Força Sindical, NCST e UGT. No nível estadual, os trabalhadores pedem queda das tarifas do pedágio; mudança no sistema de eleição para conselheiros do Tribunal de Contas; sistema permanente de reajuste do salário mínimo regional e regulamentação da profissão de motorista. As pautas nacionais são redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial; fim do projeto de lei que amplia a terceirização; reajuste digno para aposentados; fim dos “leilões do petróleo”; investimento de 10% do PIB em educação e outros 10% do orçamento da União na saúde; transporte público de qualidade e com preço justo; e reforma agrária. Fonte: Jornal Gazeta do Povo; (11-07-2013)