Renda média do ano tem menor crescimento desde 2005, apesar da alta em agosto.

Ainda que a taxa de desemprego tenha recuado em agosto e o rendimento subiu pela primeira vez em cinco meses, o mercado de trabalho mostra neste ano um cenário de estagnação diante de uma inflação maior, do consumo mais fraco, da menor oferta de crédito e da confiança de empresários abalada.

A face mais marcante dessa "parada" do mercado de trabalho é a freada brusca da renda, cuja alta de janeiro a agosto ficou em 1,5%. Foi o menor ritmo de expansão desde 2005. Taxa de desemprego desacelera e vai a 5,3% em agosto, diz IBGE "A inflação maior tem um participação importante na desaceleração do rendimento, bem como o reajuste mais baixo salário mínimo, que serve de referência para uma parcela importante da população ocupada", disse Cimar Azeredo Pereira, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Com a renda crescendo menos, o consumo das famílias dá sinais de esgotamento e é uma das travas do PIB neste ano, que deve crescer num ritmo inferior a 3%, segundo analistas. O cenário, porém, já foi pior. O rendimento subiu 1,7% de julho para agosto, primeira taxa positiva após cinco meses em retração.

"É um primeiro sinal de melhora e pode ser resultado do arrefecimento da inflação em julho e agosto", disse o técnico do IBGE. Para a LCA, "a recente perda de fôlego da inflação pode contribuir para manter" o crescimento do rendimento ao redor de 1,5% nos próximos meses.

Outro dado que indica uma estagnação do mercado de trabalho é o fim da tendência de queda da taxa de desemprego no acumulado dos oito primeiros meses do ano. De janeiro a agosto, a taxa média de desemprego ficou em 5,7%, a mesma registrada em igual período de 2012, freando a trajetória de queda contínua dos anos anteriores. Em agosto, porém, o indicador se situou 5,3%, a mais baixa marca desde dezembro.

Segundo Azeredo Pereira, a queda da taxa de desemprego em agosto ocorreu graças à menor procura por trabalho e ao crescimento moderado do número de ocupados (0,4%). Ainda assim, diz, a média de janeiro a agosto mostra uma "estabilidade" da taxa de desemprego. Para a LCA, a geração de empregos "mostrou importante arrefecimento entre fevereiro e maio de 2013, mas vem sinalizando alguma recuperação desde julho".

Segundo a consultoria, empresários seguraram contratações no primeiro semestre deste ano porque retiveram trabalhadores no ano passado diante "da dificuldade de obter de mão de obra qualificada" e pelos elevados custos de demissão.

Com isso, postergaram contratações. Os dados mais recentes, no entanto, mostram uma melhora "bastante gradual" na ocupação, sobretudo por conta do setor de serviços.