Candidatos têm discursos prontos para seduzir o eleitor.

A Copa do Mundo terminou e no calendário de grandes eventos do ano, olha-se agora para as eleições de outubro. A mudança de foco, porém, não deverá ser abrupta. Os próprios comitês dos candidatos reconhecem que serão necessários alguns dias para curar a ressaca pós-mundial e transformar o torcedor em potencial eleitor. A propaganda no rádio e na televisão, que marca a fase quente da campanha, só começa no dia 19 de agosto, mas o grosso do discurso de cada candidato já está desenhado.

Até o início do horário eleitoral, os três principais postulantes ao governo do Paraná – o atual governador Beto Richa (PSDB) e os senadores Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) – vão usar a campanha na rua e na internet para seduzir o eleitor. As táticas de sedução de cada um dos candidatos começam a ser desvendadas no nome dado a cada coligação.

Os 17 partidos que apoiam Beto Richa estão unidos sob a denominação “Coligação Todos pelo Paraná”. No nome, um dos motes de Beto, de que seria ele o candidato a unir o estado. “É uma referência que será utilizada na campanha. A ideia é mostrar que os outros dois nomes (Gleisi e Requião) seriam desagregadores e fariam um governo de desunião”, diz o cientista política Marlus Forigo, professor da Unicuritiba.

O conceito por trás do nome da coligação de Gleisi também é claro. PRB, PDT, PT, PTN e PC do B estão unidos na “Paraná Olhando para a Frente”. A ideia é marcar o que seria o ineditismo da gestão petista. “Requião e Beto, nesse sentido, seriam os que olham para trás, o antigo”, explica.

Já a coligação de Requião foi nomeada como “Paraná com governo”. O nome faz alusão ao que é visto pelos eleitores do senador como uma de suas principais qualidades. Para eles, o estilo centralizador e voluntarioso do senador seria importante para a gestão eficiente da máquina pública. “[O nome da coligação] reflete a própria personalidade dele. Ele assume esse papel meio brigador. Foi assim inclusive que ele conseguiu a indicação para ser candidato no PMDB, em meio a uma disputa dentro do próprio partido”, diz Forigo. O nome da coligação também é uma crítica à gestão de Richa, classificada como “desgoverno” pelo senador.

“Palavras cruzadas”

Por sua vez, a análise de palavra por palavra nos programas de governo de cada candidato revela similaridades e pontos divergentes entre os três.

Os termos “Para­ná”, “Estado”, e “Pro­grama” são os que aparecem respectivamente com mais frequência no plano de Requião. No programa de Richa, a ordem é parecida: “Estado”, “Paraná” e “Governo”. Com Gleisi, a ordem é um pouco diferente: “Desenvolvimento”, “Políticas” e “Social”.

O termo “Social” também é citado com frequência por Requião, mas aparece pouco com Richa. O governador aposta no substantivo “Metas”. Ao longo de seu mandato, Richa estabeleceu objetivos a serem alcançados por cada secretário. Um segundo mandato, ao que parece, seguiria a mesma lógica. A palavra é citada ao menos 30 vezes em seu plano de governo, ante duas de Gleisi e sete de Requião.

O discurso de Requião, por sua vez, é pontuado com os termos “Público” e “Pública”. O uso segue a linha estatista seguida pelo senador. O peemedebista costuma colocar os interesses “privados” e “públicos” em campos opostos no discurso político.