América do Sul mostra a sua força

A dinâmica global vem dando provas da importância do agronegócio para o desenvolvimento econômico. O crescente apetite de países como a China – que alcança 1,38 bilhão de consumidores e segue em expansão – eleva o peso do setor em nações emergentes exportadoras de alimentos como Brasil e Argentina.

Num momento em que nenhuma oportunidade pode ser dispensada, a América do Sul toma consciência de seu potencial produtivo e realinha suas estratégias. Entender o comportamento dos mercados, se aproximar do consumidor e aprimorar relações internacionais são algumas das direções para os países da região ampliarem sua relevância no comércio internacional.

Esse é o foco principal do Fórum de Agricultura da América do Sul, evento internacional que o Núcleo de Agronegócio Gazeta do Povo promove nos próximos dias 12 e 13, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Em sua terceira edição, o evento mobiliza representantes de mais de 10 países para discutir os rumos do setor em âmbito global, a partir da perspectiva sul-americana.

Os números confirmam intensa atividade agropecuária na região. A produção agropecuária das nações sul-americanas totaliza 310 milhões toneladas de grãos (milho, soja e trigo) e 37,7 milhões toneladas de carnes (bovina, suína e de frango). Isso garante uma participação de 30% no mercado mundial de grãos e de 28% nas trocas globais de proteína animal, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda).

Os desafios do agronegócio na América do Sul vêm à tona com a constatação de que toda essa produção é possível graças a uma minoria que ainda permanece no campo. Considerando os quatro maiores produtores de soja do bloco – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai –, a população rural se limita a 14% do total. Ou seja, 86% se concentram na zona urbana. Esses contrastes mostram a crescente importância das cidades dentro desse debate, justificando o tema “Sociedade Urbana, Economia Rural”.

“A América do Sul assume um grande desafio, de atender a demanda global por alimentos e bioenergia. Tem cumprido o papel, mas precisa de um modelo mais dinâmico e flexível que acompanhe o comércio internacional”, contextualiza Giovani Ferreira, coordenador do evento e do Núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo.

Diante desse cenário, é preciso buscar um crescimento ordenado da produção. A expectativa é que a produção de oleaginosas dos quatro ‘gigantes’ do bloco chegue a 192 milhões de toneladas até 2024, projeta a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Com isso, o grupo terá sua participação na oferta global ampliada de 34,9% para 37,2%.

Brasil e Argentina planejam ampliar a produção, só de soja, para além de 125 milhões e 60 milhões de t, respectivamente. Com isso, daqui dez anos, os dois países poderão exportar 50% mais, passando de 80 milhões de t.

“O Brasil e a Argentina são grandes modelos, pois têm boa produtividade e exportam mais da metade da produção. E ainda possuem muitas terras disponíveis e conhecimentos tecnológicos para continuar influenciando a agricultura”, destaca Alan Bojanic, representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil. “Mesmo com a redução do ritmo de crescimento de alguns consumidores globais, como a China, não teremos grande redução na demanda”, complementa.

Para o economista argentino Guillermo Rossi, da Bolsa de Comércio de Rosário, que será um dos palestrantes do Fórum, as nações da América do Sul devem ampliar atuação a outras regiões do globo. “O lugar para colocar os produtos não é só a China. Pense na Europa e Ásia para óleos vegetais e farelo de soja. Sudeste da Ásia (Indonésia, Tailândia e Vietnã) tem um enorme potencial para os próximos anos, pois a taxa de crescimento avança mais que na China. Além disso, alguns países estão abrindo os sistemas políticos, o que poderá gerar um boom de investimento nos próximos anos”, destaca.

Post - Andressa Pinheiro - Paranaguá/Paraná

Fonte: Gazeta do Povo (http://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/especiais/forum-de-agricultura/america-do-sul-mostra-a-sua-forca-5ftl5wtfq6r4djljn4tsbwiya)