Cooperativismo tem números que impressionam, afirma presidente da OCB

Um segmento da economia nacional que emprega, diretamente, mais de 360 mil pessoas e é responsável por quase 11% do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário no Brasil. Este é o atual cenário do cooperativismo no País, conforme dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

“O cooperativismo é responsável, hoje, por números que impressionam”, afirma o presidente da instituição, Márcio Lopes de Freitas, que está à frente da OCB há 15 anos.

A instituição contabiliza o registro de 6,6 mil cooperativas. “Quando falamos do ramo Crédito, temos os seguintes números: são 980 cooperativas com 6,9 milhões de cooperados e a geração de vagas formais em torno de 46,8 mil postos; já no ramo agropecuário, temos 1.543 cooperativas, com 993,5 mil cooperados e 180,1 mil empregos formais”, enumera Freitas.

“Segundo dados do Censo Agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 48% de tudo que é produzido no campo brasileiro passa, de alguma forma, por uma cooperativa”, ressalta.

O presidente da OCB salienta que, em mais de 400 cidades brasileiras, as cooperativas de crédito são as únicas instituições financeiras disponíveis. “Isto quer dizer que milhares de pessoas só dispõem de inclusão financeira, graças ao cooperativismo.”

Nesta mesma linha de raciocínio, acrescenta, “temos as cooperativas de infraestrutura, que distribuem energia a diversas regiões do País, onde as concessionárias não atuam diretamente”.

 

SETOR AGROPECUÁRIO

Freitas comenta que “além disto, as cooperativas agropecuárias e seus parceiros realizam importantíssimos eventos de transferência tecnologia; e dentre as feiras mais respeitadas estão a Expodireto Cotrijal, realizada em Não-me-toque (RS); a Show Rural Coopavel, que ocorre na cidade de Cascavel (PR); a Tecnoshow Comigo, uma das maiores feiras do Centro-Oeste brasileiro, em Rio Verde (GO); e a Agrobrasília, sediada em Brasília (Coopa-DF)”.

Apenas em 2014 (os dados do ano passado ainda não foram totalmente fechados), “as cooperativas agropecuárias, ao realizar suas feiras, contribuíram para a criação de 11 cooperativas, realizaram feiras agropecuárias de expressão regional, com um público superior a 700 mil produtores rurais, gerando um volume de negócios em torno de R$ 7 bilhões”, pontua Freitas.

 

PERSPECTIVAS

Segundo o presidente da OCB, as cooperativas brasileiras têm investido cada vez mais na gestão de seus negócios, considerando principalmente o aumento das exportações.

“De janeiro a setembro de 2015, as vendas das cooperativas para fora do País cresceram 1,35%, na comparação com o mesmo período de 2014, totalizando um montante de US$ 4,13 bilhões, conforme dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)”, cita.

No ano passado, as cooperativas agropecuárias exportaram um montante de US$ 5,34 bilhões, o que significou um crescimento de 1,7% em relação ao ano anterior (US$ 5,25 bilhões).

“Com o intuito de potencializar os resultados cada vez mais expressivos, o Sistema OCB, entidade que representa as cooperativas brasileiras, lançou no dia 27 de outubro de 2015, o Catálogo Brasileiro de Cooperativas Exportadoras, documento traduzido em sete idiomas. Por meio dele, os compradores podem encontrar informações sobre os principais produtos exportados”, informa Freitas.

Ao longo de todo o ano de 2014, o total exportado pelas cooperativas foi de US$ 5,28 bilhões. “Ao comparar os valores das operações de exportação da última década, o resultado é ainda mais significativo: as exportações feitas por cooperativas cresceram em torno de 2,6 vezes entre 2005 e 2015. Há dez anos, a participação das cooperativas no montante global de exportação era de US$ 1,6 bilhão.”

 

CRISE ECONÔMICA

Em relação à situação do País e como afeta o setor agropecuário e das cooperativas, Freitas acredita que a crise econômica é muito mais profunda do que se imagina.

“Ela é estrutural, gera desconfiança e retração na economia. O que esta crise causa é temeridade. Acredito que o Brasil está vivendo uma completa falta de previsibilidade e isto, para quem é agricultor, ou seja, aquela pessoa que acredita, planta e aguarda a colheita com esperança, não é favorável.”

Para o presidente da OCB, quem vive do campo precisa ter o mínimo de previsibilidade. “E isto vai além de questões climáticas, independe do El Niño ou La Niña. Então, a crise que mais nos afeta é a falta de horizontes e a sobra de rumores de que as coisas podem piorar. Isto gera um processo de inércia econômica e até de retração.”

Para 2016, em seu entendimento, não há previsibilidade muito clara. “Depende muito de vários cenários, contudo, o ano novo me transmite muito otimismo, porque eu acredito na capacidade da nossa agricultura. Por causa do nosso clima, das condições físicas do nosso solo e, acima de tudo, por causa da geração fantástica de agricultores visionários, uma característica do povo brasileiro, a nossa agricultura tem se posicionado de forma cada vez mais eficiente.”