FMI: Crescimento voltará em 2017

O Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que o Brasil volte a crescer em algum momento de 2017, num cenário em que a situação política se normaliza ao longo deste ano. Na média do ano que vem, contudo, o PIB deve ficar estagnado, registrando variação zero, depois de cair 3,8% em 2016 ­ número idêntico ao de 2015.

 

Ambiente político - Para a vice-­diretora do departamento de pesquisa do FMI, Oya Celasun, a expectativa é que o ambiente político melhore ao longo deste ano, o que permitirá ao país "retornar a taxas mais normais de crescimento". Além da normalização do ambiente político, uma diminuição gradual dos efeitos adversos da piora dos termos de troca (relação entre preços de exportação e importação) deve contribuir para a melhora da atividade econômica, avaliou Oya.

 

PIB - O PIB voltaria ao terreno positivo em algum momento do ano que vem, alcançando taxas mais positivas nos anos seguintes. Oya disse ser muito difícil distinguir o peso dos fatores políticos e econômicos na recessão brasileira. Para ela, a retração se deve a uma confluência de motivos, como queda dos preços de commodities, impacto do ajuste dos preços administrados e baixa confiança causada pela percepção da necessidade de ajuste fiscal e das dificuldades em implementá­-lo.

 

Confiança - "A incerteza política é parte desse mix, pesando sobre a confiança", afirmou, mencionando o gradual aperto das condições financeiras. Para ela, quando o ambiente político melhorar, as autoridades deverão encontrar "tempo e espaço" para desenhar e implementar medidas que, junto com reformas estruturais que impulsionem o crescimento, deverão levar a taxas "mais normais" de expansão.

 

Economia global- O FMI anunciou nesta terça-feira as suas novas projeções para a economia global, promovendo mais uma redução da estimativa para a variação do PIB brasileiro em 2016. Para este ano, o fundo passou a projetar queda de 3,8%, número inferior à retração de 3,5% projetada em janeiro ­ e o pior desempenho estimado para as maiores economias do mundo. Para 2017, o FMI manteve a expectativa de estagnação.

 

Recessão - A recessão afeta o desemprego e a renda e "as incertezas domésticas continuam a restringir a capacidade do governo de formular e executar políticas", resume o fundo. No relatório Panorama da Economia Mundial (WEO na sigla em inglês), o FMI diz que o Brasil deve insistir no ajuste fiscal para restaurar a confiança e estimular o investimento, apontando a importância de conter gastos e também atuar no lado dos impostos.

 

Medidas tributárias - "Com o espaço para cortar gastos discricionários severamente limitados, medidas tributárias são necessárias no curto prazo", afirma o fundo, numa maneira implícita de sugerir que o país terá de elevar impostos. "Mas o desafio mais importante é enfrentar a rigidez e os mandatos insustentáveis do lado das despesas", diz o relatório, em linha com as recomendações dos principais especialistas em contas públicas no Brasil.

 

Pior resultado - A retração de 3,8% prevista para o PIB brasileiro é de longe o pior resultado previsto para as principais economias do mundo. Quem chega mais perto é a Rússia, que deverá ver a economia encolher 1,8% em 2016, segundo o FMI.

 

Petróleo e conflito - O país sofre com o petróleo barato e as sanções relacionadas ao conflito com a Ucrânia. O FMI espera que os emergentes avancem em média 4,1% e os países avançados, 1,9%, desempenhos muito acima do projetado para o Brasil.

 

Equador e Venezuela - Na América Latina, Equador e Venezuela, grandes exportadores de petróleo, devem ter quedas maiores do PIB ­ de 4,5% e 8%, pela ordem, de acordo com as estimativas do FMI. O PIB da região deve encolher 0,5% neste ano.

 

Crescimento - Ao comentar as perspectivas para a economia brasileira, o FMI diz que o crescimento deve voltar em 2017, ajudado por uma moeda mais fraca e pela expectativa que os grandes choques de 2015 e 2016 tenham se esgotado. O FMI ressalta, porém, que "essas projeções estão sujeitos a grande incerteza".

 

Incertezas domésticas - No relatório, o texto fala em incertezas domésticas, sem mencionar ou entrar em detalhes sobre a crise política. Não há menção ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff que está em curso na Câmara dos Deputados, por exemplo. Para levar a inflação aos 4,5% da meta em 2017 será necessária uma política monetária apertada, segundo o FMI. "Reformas estruturais para aumentar a produtividade e a competitividade ­ incluindo o programa de concessões em infraestrutura ­ são essenciais para revigorar o crescimento potencial."

 

Inflação - A projeção do FMI para a inflação é de alta de 7,1% neste ano e de 6% em 2017, números próximos aos do boletim Focus do BC. Para 2016, analistas ouvidos pela autoridade monetária estimam variação de 7,14%; para 2017, a projeção é de 5,95%. Em 2015, o IPCA subiu 10,7%. (Valor Econômico)