Área administrativa e financeira é a que mais contrata, diz estudo.

  A área administrativa e financeira foi o ramo que mais empregou executivos ao longo deste ano no Brasil, segundo uma pesquisa da consultoria internacional DBM, especializada em gestão de capital humano. Na separação por setor da economia, serviço contratou quase um terço dos profissionais que buscavam uma vaga por meio da consultoria. Pelo lado da demanda do mercado, o cargo mais procurado pelas empresas foi o de gerente-geral. Todas as informações dizem respeito a postos conquistados por executivos que passaram pela DBM durante processos de transição e voltaram ao mercado de trabalho. Por exemplo, na área administrativa/financeira, o número significa que 21% dos executivos que passaram pela consultoria foram empregados nesta área. Terceirização de projeto alavanca consultorias

O cargo de consultor está em ascensão nos últimos anos e o fato está intimamente ligado ao crescimento econômico do país. O maior dinamismo da economia faz com que projetos, antes deixados de lado, ganhem relevância e possam ser executados. Uma tendência de mercado, segundo os especialistas, é a terceirização de projetos. Com isso, o consultor se torna um profissional muito demandado e com grande valor para colocar em prática os projetos empresariais. “É um dado próprio do aquecimento de mercado, quando muitos projetos são colocados como prioridade, e por isso há um volume maior para as consultorias. Isso acontece por uma mudança na cultura das empresas, que estão se focando em seus negócios de origem. Os outros setores, como recursos humanos e marketing, por exemplo, podem então ser terceirizados. Com essa demanda maior, há mais oportunidades para o consultor”, analisa Carlos Contar, da Business Partners, consultoria de RH. Para o presidente da DBM Brasil e América Latina, Cláudio Garcia, a expertise do executivo está sendo cada vez mais valorizada e o profissional sente segurança para um voo solo. “A expertise do profissional está sendo valorizada e ele pode trabalhar sozinho, como consultor. Isso vai da pessoa, que pode preferir ter autonomia e flexibilidade de horário, além de querer ter chefe”, avalia. Curitiba não está de fora do crescimento das consultorias. Contar dá o exemplo próprio: há um ano a sede regional da Business Partners contava com quatro profissionais e hoje trabalha com dez consultores. “Muitas consultorias de São Paulo estão vendo no mercado curitibano oportunidades. Outras estão surgindo por aqui mesmo. Profissionais da área de tecnologia da informação, recursos humanos e finanças estão migrando para a área”, ressalta.
“O setor financeiro e administrativo apresentou esta alta porque houve um movimento forte de profissionalização das empresas. Principalmente as empresas familiares, que estão preocupadas em crescer e precisam de executivos financeiros.” Cláudio Garcia, presidente da DBM Brasil e América Latina
Vagas
10,6% das vagas abertas no Brasil pela DBM, consultoria internacional de RH, eram para gerência geral. Foi o cargo que teve a maior demanda do mercado, de acordo com a pesquisa da consultoria. Profissionais para atuar na área de serviços e administrativo-financeira vieram a seguir na lista de demanda das empresas.
As áreas administrativo/financeira, consultoria e recursos humanos foram as que apresentaram a maior variação positiva no número de vagas preenchidas em relação ao ano passado. Explicação A dinâmica de crescimento do Brasil fez com que empresas se profissionalizassem ainda mais, contando com o trabalho dos executivos nas áreas administrativa e financeira. Essa é a avaliação do presidente da DBM Brasil e América Latina, Cláudio Garcia. “O setor financeiro e administrativo apresentou esta alta porque houve um movimento forte de profissionalização das empresas. Princi­palmente as empresas familiares, que estão preocupadas em crescer e precisam de executivos financeiros”, analisa Garcia. Clarisa Piva não trabalha em uma empresa familiar, mas se diz preocupada com essa profissionalização. Formada em Administração e com pós-graduação, hoje ocupa o cargo de diretora administrativa do Colégio Decisivo Cristo Rei. Ela tem como foco o crescimento da empresa, diz, porque é a maneira mais eficiente de receber o reconhecimento profissional. “Eu trabalho com um foco: estou sempre atenta ao bom desempenho da escola e na relação com os funcionários. Sei que tornar a empresa bem-sucedida é uma das principais atribuições de um administrador e uma empresa que vai bem tende a valorizar mais o profissional, inclusive com melhores remunerações”, salienta. A diretora administrativa sabe que para se manter atualizada no mercado é preciso investir na carreira. “Quero buscar um aperfeiçoamento, porque fiz uma pós há três anos. Quero continuar a estudar na área de finanças, que eu gosto muito. O mercado se modifica rapidamente e precisamos de aprimoramento”, ensina Clarisa. Demanda A maior demanda por executivos para o cargo de gerência geral, segundo Garcia, se dá pelo prestígio econômico do país, que tem atraído diversas empresas estrangeiras ao Brasil. “As empresas estão arriscando mais suas operações no país e precisam de um executivo para representá-la”, avalia o presidente da DBM. O ano de 2012, no entanto, ainda é cercado de mistérios para os executivos que pretendem se aventurar por novos empregos. Isso porque ainda é difícil prever quais serão as principais demandas econômicas, devido à crise financeira europeia e em que medida ela deve atingir o Brasil. Mesmo assim, de acordo com Garcia, em momentos conturbados também há oportunidades para os executivos. “O Brasil deve aproveitar o período de crise e repetir o desempenho de 2011. Em anos de crise, há oportunidades para cargos de gerência geral e setor administrativo e financeiro. Esses executivos são os mais procurados nestes períodos, para olhar para os custos da empresa”, explica. Fonte: Site; Jornal Gazeta do Povo, (07/12/2011).